Solidão coletiva, aplacada pelas relações virtuais das redes sociais

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A telefonia celular e suas facilidades, mobilidade, conectividade, acessibilidade e outras “dades” está mudando a maneira das pessoas se relacionarem.

Cena 1

Comum no restaurante. Um casal sentado, um na frente do outro, cada um com seu smartphone, enviando e recebendo mensagens compulsivamente. Um sorriso ou outro brota no rosto de cada um ao receber uma mensagem.

A refeição chega, a fisionomia de alguma alegria desaparece. Enquanto observadora, fiquei com a impressão de que as trocas de mensagens eram mais interessantes do que a companhia ali na sua frente. A refeição termina, sem que o casal tenha trocado não mais que duas ou três frases. Pedem a conta, sem demonstrarem qualquer alegria pelo encontro, pela refeição, pela companhia e vão embora como se a obrigação tivesse terminado.

Cena 2

No elevador, abre-se a porta e dentro há três pessoas, todas olhando seus celulares. Para provocar, digo: “Boa tarde!”. Claro que não obtenho nenhuma resposta. Fiquei com a impressão que as pessoas de verdade não são interessantes.

Cena 3

De carona com amigos. O telefone do motorista foi colocado no console à sua frente e era consultado de minuto em minuto. Não, não havia mensagem chegando, o telefone não vibrava, não apitava, não acendia. Mas e se tivesse tocado e ele, não tivesse notado nos últimos 30 segundos? Teria alguém me procurado nos últimos 30 segundos?

Não, ninguém ligou ou enviou mensagem ao meu caronista em horas, mas a checagem era obrigatória. Dava aflição, pois os olhos não ficavam nem na rua e no colega ao lado, mas era hipnotizado pelo telefone, que não dava sinal de vida.

As pessoas estão sendo consumidas pelos celulares. Andam nas ruas olhando para o aparelho e movendo os dedos freneticamente na compulsão de enviar ou responder mensagens. O que não quer dizer também que estejam se comunicando melhor.

Estamos nos adaptando às novas tecnologias e deslumbrados com tanta conectividade. Precisamos aprender que as facilidades servem para melhorar nossa qualidade de vida e não para que sejamos escravos e dependentes dela.

Há uma espécie de solidão coletiva, aplacada pelas relações virtuais das redes sociais. Uma intimidade aparente e geralmente superficial que talvez não resista a três ou quatro encontros reais, com gente de verdade.

Com gente de verdade não dá para colocar uma placa de ocupado ou ausente. Não dá para desplugar ou fingir que não viu ou não ouviu. Gente de verdade exige atenção, percepção. Gente sente.

Fonte da imagem: jornalysta.com.br (Créditos e Divulgação)

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